O problema
Pergunte a qualquer gerente de engenharia onde o cronograma de um projeto de automação escorrega. Raramente é na lógica em si. É na transição manual entre disciplinas: o engenheiro elétrico fecha o cabeamento numa ferramenta de ECAD; o engenheiro de automação, depois, transcreve à mão a lista de dispositivos para o TIA Portal, refaz o mapeamento de tags e persegue cada alteração de última hora. Esse "de novo na mão" consome tempo e é fonte recorrente de erro.
Some a isso dois agravantes que todo diretor industrial brasileiro conhece: falta engenheiro de automação qualificado e o código de controle costuma viver sem versionamento, sem teste e sem trilha de auditoria, preso na cabeça de poucos especialistas. O resultado é prazo apertado, dependência crítica de pessoas e qualidade que oscila de projeto para projeto.
O que mudou no mercado
Nesta quinzena, a Siemens deu dois passos que atacam exatamente esse ponto.
Primeiro, expandiu o Eigen Engineering Agent, a IA de engenharia de automação apresentada na Hannover Messe 2026. A diferença em relação à maioria dos assistentes é categórica: em vez de só sugerir um trecho de código, o agente planeja, executa e valida a tarefa de ponta a ponta, escreve o software de controle, configura a infraestrutura e refina o próprio trabalho até bater o padrão de qualidade definido. Ele roda nativamente no TIA Portal e faz parte do Siemens Xcelerator. Segundo a Siemens, já está em produção em mais de 100 empresas, em 19 países (entre elas ANDRITZ Metals, CASMT e Prism Systems), com execução 2 a 5× mais rápida que o fluxo manual, até 50% mais eficiência de engenharia e 80% de melhoria na qualidade das soluções. A novidade da semana é a integração ECAD: o agente lê diretamente o projeto elétrico (formatos AML/AutomationML e XML), detecta inconsistências, resolve conflitos de nomenclatura e gera as tags de PLC fiéis à topologia real do hardware, eliminando a transcrição manual.
Segundo, a Siemens ampliou o Simatic AX, sua ferramenta de engenharia estilo TI, com programação em ladder (XLad) e suporte aos novos controladores S7-1200 G2. O XLad é o primeiro ladder baseado em texto integrado nativamente ao Simatic AX, o que traz Git, testes automatizados e CI/CD para o mundo clássico do ladder, com programação bidirecional (alternar entre visão gráfica e editor de texto). E há um detalhe estratégico: a representação textual fica "preparada para IA", abrindo caminho para lógica de controle assistida por modelos. "Estamos conectando cada vez mais o mundo digital com o real", resumiu Rainer Brehm, COO de Automação e CTO da Siemens Digital Industries.
Junte os dois e a leitura de fundo é uma só: a engenharia de automação está virando software, versionado, testável e, cada vez mais, executado por agentes de IA.
Como isso vira resultado na prática (o papel da TDI)
Anunciar a capacidade é uma coisa. Fazê-la render numa planta brasileira, com governança, é outra, e é aí que entra o integrador. A TDI cobre do sensor à decisão (N0–N5 da ISA-95), e é nessa verticalidade que a engenharia assistida por IA deixa de ser demonstração e vira produtividade real.
Na base (N0–N2), a TDI opera o parque de controle, Simatic, WinCC, TIA Portal, onde o Eigen Engineering Agent e o Simatic AX agem. Aqui o ganho é direto: padronizar bibliotecas, gerar lógica e tags a partir do ECAD e colocar o código de controle sob versionamento e teste, reduzindo a dependência de poucos especialistas. Na subida para o N3, a TDI conecta essa engenharia ao Opcenter Execution (MES), de modo que o que foi projetado e programado converse com a execução, a qualidade e a rastreabilidade, sem ilhas.
A tese da TDI é simples: IA de engenharia sem governança é um piloto bonito que não escala. Um agente que escreve lógica precisa de padrão de biblioteca, política de validação, controle de versão e um fio que ligue a engenharia à execução. É exatamente esse arcabouço, método, padrão e integração N0→N5, que transforma "2 a 5× mais rápido" em projeto entregue no prazo e mantido com qualidade ao longo do ciclo de vida.
A prova
Os números da própria Siemens dimensionam o salto de produtividade, e por que ele importa num cenário de escassez de mão de obra técnica:
- 2 a 5× mais rápido que o fluxo de engenharia manual
- até +50% de eficiência de engenharia
- +80% de melhoria na qualidade das soluções
- 100+ empresas / 19 países já em produção com o agente
(Resultados declarados pela Siemens para o Eigen Engineering Agent; não são resultados da TDI.)
No portfólio de projetos da TDI, plantas com forte base Siemens, de discretos a processo, são terreno natural para essa engenharia assistida por IA. Cases-âncora da integradora como Unilever Vinhedo, ISRI Diadema e Moura UN14 mostram o tipo de operação onde padronizar e integrar a camada de controle gera efeito composto até o MES.
Próximo passo
Seu time de engenharia está fazendo "de novo na mão" o que a IA já executa? Fale com a TDI e veja como levar a engenharia assistida por IA do piloto à escala, com governança do N0 ao N5.